Diálogo mudo
"A vida é bem maior que nós, com todas as nossas tentativas de entendimento, com toda a nossa agressividade cotidiana, com toda a nossa alegria febril, com todas as nossas tempestades e todos os nossos copos d'água..." - O Teatro Mágico


Sexta-feira, Novembro 24, 2006

O preço de uma vida

Hoje, assisti a um filme ("Amor sem fronteiras") que me fez refletir um pouco mais sobre o mundo. A sociedade se estruturou de um modo totalmente cruel e injusto, excluindo alguns do direito de ter uma vida decentemente adequada às condições mínimas necessárias para qualquer ser humano. Somos obrigados a conviver com problemas sociais seríssimos que fingimos acreditar que não existem... (Quantas coisas não temos vergonha de reconhecer e preferimos pensar que não existem?)
O que na maioria das vezes esquecemos é que tudo isso se passa com nossos semelhantes e, o pior, por culpa nossa, do nosso individualismo e egocentrismo mesquinho! Afinal, que diferença há entre nós e essas pessoas? Tivemos um pouco mais de sorte, apenas. Grande coisa!
Penso naqueles que lutam a cada dia pelo fio de vida que lhes restam para não terminarem como alimentos de urubus (o destino de muitas pessoas que morrem de desnutrição na África), enquanto outros (poucos) exibem-se em seus carros importados, com suas jóias caras e luxos exagerados.
Que humanidade é essa em que o que predomina é apenas o "EU"?! Estamos pouco nos lixando para os mortos em guerras, para os africanos que passam fome... Às vezes, até aproveitamos para lucrar um pouco mais: quanto será que as empresas multinacionais vão ganhar para reconstruir o Iraque? Ou então, ganham vendendo medicamentos para o tratamento de pessoas infectadas no continente africano? Será mesmo que os grandes capitalistas estão interessados em acabar com os problemas sociais do mundo? Sem lucros, qual é a graça de viver, não é?!
Enquanto isso, muitos têm um destino certo: o sofrimento e a morte.



A rosa de Hiroxima

"Pensem nas crianças
Mudas telepáticas
Pensem nas meninas
Cegas inexatas
Pensem nas mulheres
Rotas alteradas
Pensem nas feridas
Como rosas cálidas
Mas oh não se esqueçam
Da rosa da rosa
Da rosa de Hiroxima
A rosa hereditária
A rosa radioativa
Estúpida e inválida
A rosa com cirrose
A anti-rosa atômica
Sem cor sem perfume
Sem rosa sem nada".

Vinícius de Moraes

POR FÁBIO SALES | 9:21 PM


Quinta-feira, Setembro 14, 2006

Sou um menino que vê a vida pelo buraco da fechadura. Sempre, com as emoções à flor da pele. E que não se cansa disso.
A saudade não me sufoca, pelo contrário, me faz ter ainda mais vontade de viver. A rotina não me acomoda e não quero que o medo me impeça de tentar, não quero ser escravo de minhas próprias desilusões.
Inspiro a cada dia com a certeza de que tudo pode melhorar, nada é definitivo. Nem o próprio "pra sempre".
Desconfio do destino, por que ele tem que estar certo?
Pretendo gastar as próximas horas mais realizando do que sonhando. Mas pior seria se não sonhasse.
Em vista disso, trago comigo todos os sonhos do mundo! Sonhos possíveis e impossíveis, fáceis e difíceis, sonhados e vividos.
Nunca é tarde demais para nos mostrarmos para o mundo, para abrirmos a concha na qual nos trancamos durante tanto tempo.
Dúvidas não me faltam. Nem, tampouco, a solidão.
Certamente, o meu mundo não é como o dos outros. Crio personagens, cenários, situações. Assim sou: dono da minha própria história.
Exijo demais, principalmente, de mim mesmo.
Sei que posso ser mais, sei que posso querer ser mais... Mais do que sou agora. Se é que sou alguma coisa.
Já tentei voar de guarda-chuva. Lágrimas e chuva molham o vidro da minha janela. Dou plantão dos meus problemas.
Enfim, sou, acima de tudo, um coração batendo no mundo!

POR FÁBIO SALES | 3:12 PM


Quarta-feira, Abril 19, 2006

O que sou eu? O que sou eu do que sou, eu que não sei o que sinto? Mas o que sinto? Sou o que sinto? Ou sinto o que sou? Não sei. Talvez, sim. Talvez, não. Se não sei o que sinto como sou? O que sou? Sou. Sou o que sinto e o que não sinto. O que não sinto e o que sou completam o que eu sinto e, ainda assim, falta uma parte. Sim, eu sinto. O vazio. Pelas estranhas. Na alma. Sou sozinho no mundo. Sozinho comigo mesmo. Sozinho no sentido da palavra qualquer. Qualquer um sou eu? Sou qualquer um? Isso depende. Dependo muito. Preciso parar com isso. Parar de me preocupar ou me preocupar mais ainda a ponto de enlouquecer ainda mais. Mais. Mais.



...

Dom Quixote
Engenheiros do Hawaii
Composição: Humberto Gessinger / Paulo Gauvão

Muito prazer, meu nome é otário
Vindo de outros tempos mas sempre no horário
peixe fora d'água, borboletas no aquário
Muito prazer, meu nome é otário
na ponta dos cascos e fora do páreo
puro sangue, puxando carroça

Um prazer cada vez mais raro
aerodinâmica num tanque de guerra,
vaidades que a terra um dia há de comer.
"Ás" de Espadas fora do baralho
grandes negócios, pequeno empresário.

Muito prazer me chamam de otário
por amor às causas perdidas.

Tudo bem...até pode ser
que os dragões sejam moinhos de vento

Tudo bem...seja o que for
seja por amor às causas perdidas

Por amor às causas perdidas
tudo bem...até pode ser

Que os dragões sejam moinhos de vento
muito prazer...ao seu dispor

Se for por amor às causas perdidas
por amor às causas perdidas ............

POR FÁBIO SALES | 12:37 AM


Sábado, Abril 15, 2006

Por que é tão bom encontrar-se com quem você ama?
Ainda mais quando se vai fazer o que gosta?
Talvez, a resposta esteja na própria pergunta.
Obviamente, muitos devem estar se perguntando os porquês de eu ter tocado nesse assunto. Mas causa-me curiosidade entender e interpretar o cotidiano recheado de sentimentos e sensações.
Prestem atenção: isso não quer dizer que eu saiba fazê-lo.
Dificilmente, sei o que estou sentindo. Não sei se por vontade própria ou por medo do que possa acontecer depois.
Sim, tenho medo do futuro. Das conseqüências.
Uma coisa, porém, é certa: quando uma atitude é tomada, não se pode voltar atrás. Melhor será encará-la com a espada e o escudo em mãos, erguidos, mesmo que desgastados. Preparado.
Desistir é covardia. Assumir o erro, por sua vez, é sabedoria.
Não vim a esse mundo para tomar posse do que não é meu.
Do que não conquistei com o meu suor.
Luto. Luto pelo que acredito. Por uma ideologia.
Como diz a música: "Muito prazer me chamam de otário/ por amor às causas perdidas".

POR FÁBIO SALES | 8:17 PM

Alguns devem ter percebido, outros não, mas eu retirei a opção "comentários" daqui. Que fique bem claro que os antigos comentários não foram e não serão apagados, estarão armazenados e salvos no provedor e, de qualquer forma, também, no meu coração, cada qual com seu valor. Porém, era algo que estava me incomodando profundamente e que, de alguma forma ou não, prendia-me. Essa era, pelo menos, a sensação que eu tinha. Caso queiram comentar ou entrar em contato comigo, façam-no pessoalmente, por e-mail, Orkut ou mesmo MSN. Enfim, sem mais.
Quando criei esse espaço, fazer blog estava na moda. Era o auge do momento. Poucas pessoas sabiam que o "diário virtual" existia. Eu mesmo era um que nem tinha ouvido falar, se sim, não lembro. Foi por meio de amigos e colegas, na escola, que acabei descobrindo e aprofundando o meu conhecimento sobre o assunto. A princípio, causou-me muita reflexão, não estava acostumado e, também, não sabia como funcionava, nem o que escrever.
Mas... cedi.
Com o passar do tempo, eu fui me afeiçoando e ele foi adquirindo a minha forma, a minha cara. Tanto que minhas mudanças, muitas vezes, se refletem aqui. Seja na alteração de template, do perfil, ou mesmo, da forma de me expressar.
Confesso que quando leio o que escrevia morro de rir e fico com um pouco de vergonha, também.
É comum amadurecermos e recordarmos o que fazíamos antes, coisas que, hoje, provavelmente, não faríamos mais. "Temos outras cabeças". Se tiverem um pouco de tempo, relembrem. Peguem textos, cadernos, anotações, fotografias ou mesmo o arquivo do blog e analisem. É uma experiência desconcertante e prazerosa que vale a pena ser repetida, até porque é sempre bom lembrarmos que temos uma história, um passado. Não somos apenas "um pontinho no universo". Como diria Raul Seixas: "Eu prefiro ser essa metamorfose ambulante/ do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo." Não tenha medo de mudar, não tenha medo da transitoriedade. Viva.

POR FÁBIO SALES | 12:59 AM
FRAGMENTANDO-SE...